Tradução e cosmopolítica. Tensões e desvios na construção do comum
Organização: Constanza Solórzano, Laila Algaves Nuñez e Mariana Varela Câmara (IFILNOVA).
Este grupo de estudos propõe investigar a tradução como um dispositivo de negociação de fronteiras e como um gesto criador de mundos, decisivos na construção e na partilha de regimes estéticos, de uma democracia multiespécies e, porque não, da superfície terrena ela mesma. Em cada encontro, serão conjugados textos que inspiram um duplo movimento: por um lado, abrem a discussão a partir de conceitos fundamentais em torno deste tema — como a hospitalidade, a cosmopolítica, ou a própria definição dos factos no trabalho científico; por outro, fecham-na provisoriamente sobre situações concretas nas quais a prática tradutória se faz necessária: um conflito sócio-onto-jurídico sobre a proteção dos caribus no Quebec, um conto de ficção que encena a escrita de um polvo, e as (novamente tão relevantes) imagens da Lua.
Calendário das primeiras sessões
14 de setembro, 19 de outubro e 23 de novembro.
Biografias das proponentes
CONSTANZA SOLÓRZANO (Bogotá, 1988). Artista visual e investigadora. A relação entre Tempo e Fotografia tem sido o seu principal interesse nos últimos 10 anos. É licenciada em Antropologia pela Pontifícia Universidad Javeriana (PUJ), e em Fotografia pela EFC de Buenos Aires, possui uma pós-graduação em Fotografia pela Universidade Nacional da Colômbia e um mestrado em Estética e Estudos Artísticos pela NOVA FCSH, com a dissertação “Construir a Visibilidade do Tempo: Temporalidade em imagens fotográficas espaciais e genealógicas”. É doutoranda em Estudos Artísticos – Arte e Mediações (NOVA FCSH), onde investiga imagens astronómicas como elementos centrais na construção de noções coletivas de Tempo e Espaço, frequentemente moldadas por enquadramentos coloniais; investigação financiada por uma bolsa da FCT. Paralelamente, o seu trabalho artístico tem sido exposto na Argentina, Colômbia, Espanha, França, Portugal e Uruguai; e em 2020 co-fundou em Bogotá a Plataforma de Pensamiento Fotográfico PlaPF, uma revista e plataforma multimídia dedicada à reflexão sobre fotografia contemporânea latino-americana.
LAILA ALGAVES NUÑEZ. Investigadora, escritora e trabalhadora no setor cultural. Licenciada em Comunicação Social com especialização em Cinema (PUC-Rio), mestre em Estética e Estudos Artísticos (NOVA FCSH) — com a dissertação “Intimidade sem proximidade: percursos do toque e do desejo a partir de Emmanuel Levinas e Donna J. Haraway” — e doutoranda em Estudos Artísticos – Arte e Mediações (NOVA FCSH) com bolsa FCT. Desenvolvida sob a orientação de Bartholomew Ryan e Erik Bordeleau (IFILNOVA), a sua investigação atual move-se pelo campo da ecocrítica material feminista, cogitando a importância da ficção na salvaguarda dos Direitos da Natureza. Ainda neste contexto, colabora com Ritó Natálio na coorganização da rede Terra Batida, através da qual propõe e participa de investigações que percorrem as interseções entre palavra, performance, imaginação e ativismo político-ecológico. Publica ensaios, críticas de arte e artigos de reflexão para a revista Umbigo e jornais académicos.
MARIANA VARELA CÂMARA é licenciada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Sociologia pela NOVA FCSH e doutoranda em Filosofia pela mesma Instituição. No mestrado, estudou a relação entre urbanismo, longue-durée e movimentos sociais no capitalismo de acumulação flexível, tendo tecido alianças teóricas entre David Harvey, a Escola Francesa de Regulação e a Teoria Marxista Contemporânea. Atualmente, dedica-se ao estudo dos sujeitos não-humanos na filosofia, pensando, através de uma filosofia processual e fenomenológica, formas de repensar o humanismo. É escritora e poeta, tendo publicado “Enigmas de Jaguar e Jasmim” (2019) e “Rotativa” (2021) pela Editora Urutau. Escreve mensalmente na Artecapital sobre estética e filosofia. Está publicada em Antologias e Revistas de Literatura.