28/01/2026
Data: 9, 10 e 11 de setembro de 2026
Instituição proponente: IFILNOVA – NOVA FCSH (PT)
Local de realização: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa – Lisboa-PT
Apresentação
A Sociedade de Filosofia da Educação de Língua Portuguesa – SOFELP foi criada em 2008 tendo como propósito: a) O desenvolvimento de ações no domínio da sua vocação científica; b) A promoção e o desenvolvimento da investigação nas áreas de intervenção científica; c) A consultoria e outras prestações de serviços qualificados a entidades públicas e privadas; d) A realização de congressos, colóquios, seminários e outras atividades congéneres; e) A divulgação de textos, seminários e outros trabalhos de investigação; f) A colaboração com entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras na realização de estudos, trabalhos e ações, bem como na promoção de centros de investigação.
Dentro da tradição filosófica, nas suas margens ou na interseção com outros saberes, os congressos e colóquios têm acompanhado temas emergentes e contributos teórico-práticos inovadores para criarem espaços de debate entre a educação e conceções multiperspetivadas decorrentes da ética, política, epistemologia, técnica, estética, ontologia, religião, antropologia, género e prática pedagógica. Esta amplitude de saberes e visões, instigada pela natureza crítica e compreensiva da Filosofia que pensa a Educação na existência e na vida, tem sido o traço distintivo da SOFELP, em qualquer latitude e longitude da lusofonia.
A SOFELP já organizou 9 Congressos e 5 Colóquios internacionais em diferentes países da comunidade lusófona. Em 2026, associa-se ao IFILNOVA, Instituto de Filosofia da Universidade NOVA de Lisboa, e ao Laboratório de Educação a Distância e eLearning da Universidade Aberta – LE@D, para realizar em Lisboa o seu X Congresso Internacional, dedicado ao tema: A Educação entre Inclusões e Exclusões. Pretende assim promover uma reflexão alargada sobre um dos eixos que atravessa a realidade educacional e assume um relevo particular na atualidade.
Rationale
Processos diversificados de inclusão e exclusão marcam em todas as épocas e sociedades o que cabe entender por educação. Iniciação à idade adulta, privilégio do cidadão, do senhor, do governante, condição da elite cultural, meio de aceder ao sucesso laboral ou económico, seleção dos mais aptos, garantia de ócio, possibilidade de formação de uma personalidade, cuidado de si e dos outros, modalidade por excelência de promover a integração social, a aculturação, a figura do humano idealizada: As múltiplas e diversas finalidades que se lhe têm assacado resultam em enunciados que traduzem essa dialética entre o que é incluído, por direito, necessidade ou convicção, e o que, em consequência, se deve excluir, pela mesma ordem de razões. Uma zona completa do discurso educacional orienta-se, consequentemente, para a produção de justificativas e validações dessas correlações entre as duas diretrizes, enquanto as práticas se alinham por tais propósitos, a maior parte delas para materializá-los, outras, em menor número, para superá-los. Tal significa que essa dinâmica não se oferece estática, na sincronia ou na diacronia, antes supõe uma gama de matizes e variantes, que importa identificar e compreender, relativamente à dominante, mais excluidora ou mais inclusiva, que caracteriza cada conceção educacional. Do mesmo modo, os discursos que visam determinar os sentidos de tal movimento provêm de diferentes áreas epistémicas, confluindo para a consolidação de uma perspetiva consensualizada sobre o que cabe incluir ou excluir, valorizar ou segregar, reconhecer ou recusar, acolher ou renegar.
Perante uma realidade multifacetada e assimétrica, no que respeita às condições sociais, políticas, económicas e culturais, em geral, e aos sistemas educativos, em particular, na qual, apesar de todos os esforços contrários, as formas de exclusão avultam, na nossa época, tem-se vindo a projetar um futuro de maior igualdade, no respeito das diversidades, de maior democraticidade, não obstante a pluralidade de circunstâncias, de maior solidariedade, independentemente das soluções encontradas. Revela-se numa tal perspetiva uma eventual diferença histórica, refletida na intenção de consagrar a predominância decisiva do fator inclusivo sobre as formas de exclusão. A educação para todos, modelo iluminista e humanista que melhor se alinha com os ideais democráticos, deveria tornar-se, em tal visão de um futuro já inscrito na vontade presente, numa educação inclusiva para todos. Não obstante a disseminação cada vez mais consolidada dessa orientação discursiva, novas formas de exclusão, ou reconfigurações de formas vigentes, têm sido produzidas, seja a partir de condições definidas por essa mesma discursividade, seja por efeitos que esta não consegue prever. Uma das mais focadas hoje é a que se relaciona com o recurso a tecnologias digitais, mormente às aplicações do foro da Inteligência Artificial Generativa. Se a utilização responsável destas, regulada com transparência e equidade, promove a inclusão, ao facilitar serviços, personalizar a aprendizagem e ampliar a participação cívica, a sua aplicação desregulada pode ampliar exclusões, por desigualdades de acesso, literacia e enviesamentos nos dados. Mas toda a problemática da circulação de pessoas, do multiculturalismo, da integração local constitui outro campo de inclusões e exclusões que afeta diretamente o pensamento e a prática educacionais. É assim um regime de profundas tensões o que essa polaridade inscreve no pensamento e na ação atuais, suscitando a necessidade de uma discussão aprofundada do que cabe no conceito de educação e nas práticas educativas, de modo a dar corpo pleno a uma tal determinação normativa, e do que permite compreender as múltiplas persistências de procedimentos excluidores, que a negam ou obstaculizam.
O X Congresso Internacional da SOFELP, em parceria com o IFILNOVA e o Laboratório de Educação aDistância e eLearning – LE@D, dedicado ao tema: A Educação entre Inclusões e Exclusões, assume precisamente a importância desse debate sobre o quadro nacional que valida o projeto de uma matriz educacional inclusiva, as condições da sua concretização, os limites que se lhe opõem, as alternativas de dissenso que se apresentam, os modos como se entrosa com as figuras da exclusão. Assume, igualmente, que o problema diz respeito à Filosofia da Educação, instigando uma reflexão complexa sobre o fenómeno educativo, a partir desses dois valores, que deverá contribuir para um esclarecimento mais efetivo do que está em causa. Assume, por fim, que uma tal dialética só pode expressar-se pelo reconhecimento prévio da pluralidade de manifestações do mesmo par e por meio do diálogo pluridisciplinar, nomeadamente entre os saberes que tomam a educação como objeto epistemológico.
Temas
A discussão da temática do Evento será abordada numa perspetiva interdisciplinar a partir do diálogo da Filosofia da Educação com outros saberes. O programa consiste em:
- Três conferências plenárias, uma dando voz à Filosofia da Educação, outra à área das Ciências da Educação e uma terceira à problemática emergente da Inteligência Artificial e os seus impactos nos processos educativos.
- Três mesas redondas, visando promover o diálogo entre a Filosofia da Educação e outras disciplinas dos Estudos de Educação (Sociologia da Educação, História da Educação, Psicologia da Educação, Economia da Educação, Política da Educação, Educação Artística), em torno da pergunta: como é que a educação contemporânea tem vindo a promover a inclusão ou a provocar a exclusão?
- Comunicações, pósteres, apresentações de projeto de investigação no domínio da Filosofia da Educação, a área de intervenção da SOFELP, ou noutros campos de investigação que com ela dialoguem, tendo em consideração diferentes contextos e temporalidades, em particular sobre os seguintes eixos temáticos:
1. Filosofias da Educação inclusivas e exclusivas
2. Universalidades, localidades e institucionalidades educativas: conceitos e práticas
3. O trabalho das noções e a ordem dos discursos
4. Os efeitos do desenvolvimento das tecnologias digitais
5. Cosmopolitismos e nacionalismos
6. Identidades plurais: Humanismos e pós-humanismo
Comissão Organizadora
Luís Manuel Bernardo (FCSH/UNL, IFILNOVA) – SOFELP
Antonio Joaquim Severino (UNINOVE) – SOFELP
José Pedro Fernandes (Escola Superior de Educação BEJA/PT, CIEQV) – SOFELP
Maria Dulcinea da Silva Loureiro (URCA) – SOFELP
Maria Teresa Santos (UEVORA, CIDEHUS) – SOFELP
Raquel Pereira Henriques (FCSH/UNL, IHC)
Susana Batista (FCSH/UNL, CICS NOVA)
António Moreira Teixeira (Universidade Aberta, LE@D)
João Paz (Universidade Aberta, LE@D)
Cecília Tomás (LE@D)
Maria Gabriela Martins de Melo (FCSH/UNL)
Cronograma
Submissão de resumos e palavras-chave: 1 de março de 2026.
Confirmação da aceitação das propostas de comunicação apresentadas: 12 de abril de 2026.
Envio do texto completo (3 000 palavras): Por solicitação posterior.
Inscrições
Professores e Investigadores (com comunicação): 50€.
Estudantes (com comunicação): 20€.
Membros da SOFELP com as quotas regularizadas, membros do IFILNOVA e do LE@D: gratuito.
NB. A inscrição é obrigatória.
Prazo de inscrição
- Com comunicação: até 30 de junho de 2026.
- Sem comunicação: até 9 de setembro de 2026.
Modalidades de apresentação
O evento oferece a possibilidade de submissão de propostas de comunicação de ensaios teóricos, pósteres académicos, pesquisas em andamento e concluídas. Serão aceites trabalhos em português, inglês, francês e espanhol. As apresentações orais das comunicações terão a duração de, no máximo, 20 minutos. Nas restantes modalidades, não devem ultrapassar os 10 minutos.
Normas para elaboração dos trabalhos
RESUMO
O texto deverá ter entre 200 e 300 palavras e ser apresentado em formato Word (doc), com espaçamento simples, fonte Times New Roman, tamanho 12.
- Deverá conter de três a cinco palavras-chave e ser precedido por: título em negrito e centralizado; eixo temático proposto; nome do autor e co-autores, instituição a que pertence e correio eletrónico alinhados à direita e em itálico.
- A escrita do resumo deve contemplar os objetivos, a justificativa e a relevância da discussão apresentada, bem como a pertinência em relação à temática do evento.
- Abaixo do resumo e das palavras-chave, o autor deverá indicar as cinco principais referências bibliográficas de seu trabalho.
- O arquivo deverá ser enviado para o endereço eletrónico: congressosofelp@fcsh.unl.pt.
Solicita-se que o autor, ao salvar o documento em Word, nomeie o arquivo com o título do trabalho, o número do eixo referente (ex: 1. Filosofias da Educação inclusivas e exclusivas) e a modalidade da participação, presencial ou a distância.
*Atenção: A não observância das diretrizes acima implicará a reprovação automática da proposta submetida ao evento.
TRABALHO COMPLETO
As orientações acerca das normas para a escrita e envio do trabalho completo sairão após a relação dos resumos aceites.
SISTEMÁTICA GERAL DE AVALIAÇÃO
Todos os trabalhos apresentados serão inicialmente julgados quanto à forma. Esta é uma avaliação preliminar, realizada pela Comissão Organizadora do evento. Os trabalhos julgados conformes aos critérios formais estabelecidos (limite de caracteres do texto e do resumo e observância da normatização técnica exigida) passarão, então, à avaliação de mérito académico, sob responsabilidade da Comissão Científica.
A avaliação dos trabalhos obedecerá aos seguintes critérios:
- Relevância, pertinência e atualidade do trabalho para a área;
- Precisão e riqueza conceitual na abordagem do tema;
- Consistência e rigor na abordagem teórico-metodológica e na argumentação;
- Originalidade e contribuição para o avanço do conhecimento na área;
- Redação clara, correta e de acordo com as normas.
NB. Foi pedida a acreditação do evento como Ação de formação contínua.
Evento financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UID/00183/2025.