EPLab • Seminário Permanente

Que Língua Devem os Republicanos Falar? Sobre a Relação entre Liberdade e Retórica no Pensamento de Quentin Skinner

Giuseppe Ballacci

A 12.ª sessão do Seminário Permanente do EPLab estará a cargo de Giuseppe Ballacci (U. Minho), com uma apresentação intitulada “Que Língua Devem os Republicanos Falar? Sobre a Relação entre Liberdade e Retórica no Pensamento de Quentin Skinner”. A sessão terá lugar no dia 16 de outubro, às 10:30 (UTC+1), na sala SD do Colégio Almada Negreiros (Campus de Campolide), com transmissão online, e decorrerá em inglês.


Se tiver interesse em participar, presencialmente ou online, deverá contactar os organizadores: Inês Pinheiro (ines.pinheiro@campus.fcsh.unl.pt) e Devon Cass (devoncass@fcsh.unl.pt).

Resumo

Este artigo analisa a relação entre duas das principais contribuições de Quentin Skinner: a sua recuperação da conceção neo-romana da liberdade e a sua redescoberta da tradição retórica. Embora a retórica desempenhe um papel constitutivo na teoria política republicana de Skinner, defendo que a sua própria conceção de retórica está estruturalmente mais próxima de um modelo sofístico do logos do que das tradições clássicas que estuda, e que esse modelo sofístico, na verdade, compromete o seu republicanismo. Combinando algumas ideias-chave da retórica com a teoria dos atos de fala de Austin e um perspectivismo nietzschiano e antifundacionalista, Skinner parece reduzir a vida política a um confronto entre logoi concorrentes, enquadrado inteiramente como contestação, com pouco espaço para a deliberação. Isto subestima duas características centrais da tradição retórica clássica que o próprio Skinner recuperou, sobretudo na sua forma ciceroniana: a combinação de filosofia e retórica de Cícero, em que a eloquência está ligada ao julgamento racional e à busca de uma justiça semelhante à verdade, e a conceção aristotélica da retórica como uma arte argumentativa fundamentada no raciocínio a partir do provável. A recuperação destas características esclarece por que razão uma conceção ciceroniana e aristotélica da retórica se adequa melhor tanto aos requisitos deliberativos como aos contestatórios da liberdade republicana.

Bio

Giuseppe Ballacci é investigador e diretor do Centro de Ética, Política e Sociedade da Universidade do Minho. É doutorado em Teoria Política pela Universidade Autónoma de Madrid e já foi investigador convidado na Universidade Humboldt de Berlim, na Universidade de Chicago, na KU Leuven e na Université Libre de Bruxelles. A sua investigação centra-se na democracia, na representação política, no populismo, na retórica e na história do pensamento político. Os seus trabalhos foram publicados em revistas como Critical Review, Contemporary Political Theory, The Review of Politics e Philosophy & Rhetoric. É autor de Political Theory between Philosophy and Rhetoric (2018) e coeditor de Populism, Demagoguery and Rhetoric in Historical Perspective (2024). Atualmente, está a trabalhar numa monografia sobre a demagogia na história do pensamento político.


Mais informações sobre o Seminário Permanente do EPLab aqui.

Financiamento
Evento financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UID/00183/2025 https://doi.org/10.54499/UID/00183/2025.