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Curso Complementar de Filosofia

inscrições abertas

Encontram-se abertas as inscrições para o curso complementar de Filosofia. Os módulos e áreas temáticas são de escolha livre, podendo o estudante construir o seu percurso livremente. Pretende-se facultar aos participantes um espaço de abertura e de diálogo a respeito de questões marcantes na filosofia de hoje. Destina-se a todos os interessados numa formação complementar em Filosofia, licenciados noutras áreas de estudo ou sem habilitação académica específica, mas motivados para a reflexão filosófica. As inscrições podem ser feitas plataforma Inforestudante até 2 dias úteis antes do início de cada módulo. As aulas terão lugar à sexta-feira, via Zoom.

Epistemologia e Filosofia do Conhecimento
Docentes: Pietro Gori / Nuno Fonseca
Outubro: 1, 8, 15, 22

Neste módulo procurar-se-á fazer uma introdução ao tema do conhecimento e às questões filosóficas que se encontram ao seu redor. As aulas focar-se-ão particularmente na origem e valor quer do conhecimento comum quer do conhecimento científico, cuja problematização fundamenta assuntos clássicos da história do pensamento, e.g. ceticismo e relativismo epistémico (de Platão a Nietzsche, passando pelos filósofos modernos Descartes, Locke e Hume). Através da análise do percurso integrado entre filosofia e ciências na época pós-kantiana, tentar-se-á encontrar nas abordagens pragmatista e perspetivista contemporâneas percursos para abordar proveitosamente esse relativismo e até defender uma forma moderada de realismo.
Ontologia
Docentes: Luís Aguiar de Sousa / Ana Falcato
Outubro: 29 / Novembro: 5, 12, 19

Este módulo pretende introduzir à problemática ontológica a partir de dois núcleos fundamentais que marcaram toda a filosofia do século XX, a filosofia de Nietzsche e a fenomenologia. Na primeira parte do curso, mostrar-se-á em que sentido a noção de “vontade de poder” pretende ter um alcance ontológico. Acentuar-se-á, em particular, o facto de a ontologia da “vontade de poder” constituir um desenvolvimento da “metafísica imanente” da “vontade de vida” de Schopenhauer, não ultrapassando os limites impostos por Kant a toda a metafísica. Será também dada especial atenção à relação da ontologia da “vontade de poder” com a temática da verdade como perspetivismo bem como à sua relevância para a crítica à moral e para a reavaliação de todos os valores.

Na segunda parte do curso, introduzir-se-á a noção e problemática de uma ontologia fenomenológica a partir de O Ser e o Nada de Jean-Paul Sartre, com especial atenção à sua relação com a fenomenologia alemã, em particular a de Heidegger. Mostrar-se-á como e em que medida a ontologia de Sartre constitui um retorno ao domínio da consciência, da subjetividade e a importância desta para uma investigação fenomenológica do ser. Incidir-se-á ainda em algumas das categorias ontológicas fundamentais de O Ser e o Nada, tais como “para-si”, “em-si”, “nada”, e na sua relação, bem como no modo como Sartre as pretende demonstrar fenomenologicamente.
Ética
Docentes: Marta Faustino / Hélder Telo
Novembro: 26 / Dezembro: 3, 10, 17

Este módulo tem como tema central a articulação entre a felicidade e a amizade no pensamento ético antigo, com particular foco em Platão, Aristóteles, Epicuro e os Estóicos. Ao contrário das éticas modernas, geralmente focadas na qualidade de ações isoladas, as éticas antigas caracterizam-se por uma preocupação com a totalidade da vida, visando por isso a vida boa ou felicidade (eudaimonia). Apesar de este foco na felicidade individual muitas vezes sugerir uma preocupação exclusivamente egoísta ou individualista, as éticas antigas também reconhecem, porém, a importância da amizade (philia) para uma vida feliz, o que implica uma interligação entre o cuidado de si e o cuidado do outro e uma preocupação com a felicidade conjunta. O módulo discutirá, assim, a partir da perspetiva dos autores antigos, qual é a relevância da amizade para a felicidade, qual é a relação entre o cuidado de si e a preocupação com os outros, se esta preocupação com o outro é ainda redutível ao interesse próprio ou se permite superá-lo e, por fim, se a amizade tem sempre um carácter exclusivo e parcial (o que a torna problemática de uma perspetiva moderna e contemporânea), ou se também é possível pensar formas mais amplas de amizade (como a amizade cívica ou cosmopolita) que anulem essa parcialidade e permitam também repensar a noção de felicidade.
Estética
Docentes: Nélio da Conceição, Nuno Fonseca, Alexandra Dias Fortes, Ana Mira
Fevereiro: 11, 18, 25 / Março: 4

A noção de experiência estética tenta dar conta de uma parte importante da experiência humana, revelando-se central e determinante para toda uma disciplina filosófica: a Estética. Ainda que esta não se confunda com a Filosofia da Arte, estas disciplinas intersectam-se de modo relevante precisamente a propósito da questão da experiência estética, que tanto pode acontecer diante de objetos artísticos como no contexto da vida quotidiana. Neste módulo exploraremos estas questões a partir de diferentes contextos artísticos e práticas: da literatura (ensaio e biografia em Maggie Nelson), da dança (na poética de Paul Valéry), da música e artes sonoras (nas práticas contemporâneas da 'sound art') e da fotografia (enquanto técnica, arte e motivo de pensamento).
Filosofia e Literatura
Docentes: Bartholomew Ryan / Bruno Duarte / António Cardiello
Março: 18, 25 / Abril: 1, 8

Este módulo incidirá sobre a relação entre filosofia e literatura na modernidade e modernismo, em particular no que diz respeito ao problema da criação da subjetividade e puralidade moderna.
Filosofia Política e da Cultura
Docentes: Paolo Stellino/ Gianfranco Ferraro
Abril: 22, 29 / Maio: 6, 13

Este módulo tem como tema central o relativismo cultural, que será abordado na sua inter-relação com desafios contemporâneos, a partir de duas perspetivas diferentes. Na primeira parte do módulo, esta temática será analisada de um ponto de vista teórico, através da leitura de alguns autores que, ao longo da tradição filosófica e dos estudos culturais, se interrogaram sobre o significado do encontro, da mistura, e do enfrentamento entre formas de vida diferentes. Partindo de exemplos clássicos retirados da literatura e da filosofia, os alunos serão levados a refletir e debater sobre as questões mais relevantes no que diz respeito ao relativismo cultural: o que é exatamente o relativismo cultural? Quais são as suas implicações? Qual é a relação entre relativismo cultural e moral?

A segunda parte do módulo será dedicada à compreensão da maneira como, na tradição utópica, filosofia e literatura criaram uma cartografia imaginária, onde ilhas perdidas, criaturas monstruosas e cidades colocadas no passado ou no futuro permitiram relativizar o olhar da cultura ocidental. Será proposto aos alunos um itinerário através da tradição utópica, desde a antiguidade, com os exemplos das terras beatas de Homero, da Atlantis de Platão e dos contos de Plínio, passando pela modernidade, com a Utopia de More e as Viagens de Gulliver de Swift, até ao século XX, com a distopia 1984 de Orwell e a utopia A Ilha de Huxley.