CultureLab • Seminário Permanente

O Charme da Distância: Thomas Mann e A Montanha Mágica

João Pedro Cachopo (CESEM)

Muito se escreveu sobre o carácter filosófico d’A Montanha Mágica. Evoca-se a formação de Castorp, os debates entre Settembrini e Naphta, o encontro do protagonista com os enigmas do tempo, do amor e da morte. No entanto, e a caracterização do sanatório como um lugar mórbido já o sugere, falha-se o alvo. Pois, se A Montanha Mágica é um livro filosófico, é-o fundamentalmente porque nele se desdobra uma interrogação sobre as vantagens e os inconvenientes da distância para o pensamento. Não será a distância – pelo menos a simbolizada pela montanha – um subterfúgio? Um pretexto para a indiferença, para a desistência, para a cobardia? E qual seria a alternativa? Um retorno aos negócios e às guerras da planície? Em que reside a boa distância? Hoje, entre a indiferença do diletantismo e a intransigência da militância, esta inquietação – que foi a de Mann – é também a nossa.


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