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X Congresso Internacional da Sociedade de Filosofia da Educação de Língua Portuguesa: A Educação entre Inclusões e Exclusões

9, 10 e 11 de setembro de 2026
Instituto de Filosofia da NOVA (IFILNOVA)
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH)

Apresentação

A Sociedade de Filosofia da Educação de Língua Portuguesa – SOFELP foi criada em 2008 tendo como propósito: a) O desenvolvimento de ações no domínio da sua vocação científica; b) A promoção e o desenvolvimento da investigação nas áreas de intervenção científica; c) A consultoria e outras prestações de serviços qualificados a entidades públicas e privadas; d) A realização de congressos, colóquios, seminários e outras atividades congéneres; e) A divulgação de textos, seminários e outros trabalhos de investigação; f) A colaboração com entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras na realização de estudos, trabalhos e ações, bem como na promoção de centros de investigação.


Dentro da tradição filosófica, nas suas margens ou na interseção com outros saberes, os congressos e colóquios têm acompanhado temas emergentes e contributos teórico-práticos inovadores para criarem espaços de debate entre a educação e conceções multiperspetivadas decorrentes da ética, política, epistemologia, técnica, estética, ontologia, religião, antropologia, género e prática pedagógica. Esta amplitude de saberes e visões, instigada pela natureza crítica e compreensiva da Filosofia que pensa a Educação na existência e na vida, tem sido o traço distintivo da SOFELP, em qualquer latitude e longitude da lusofonia.


A SOFELP já organizou 9 Congressos e 5 Colóquios internacionais em diferentes países da comunidade lusófona. Em 2026, associa-se ao IFILNOVA, Instituto de Filosofia da Universidade NOVA de Lisboa, e ao Laboratório de Educação a Distância e eLearning da Universidade Aberta – LE@D, para realizar em Lisboa o seu X Congresso Internacional, dedicado ao tema: A Educação entre Inclusões e Exclusões. Pretende assim promover uma reflexão alargada sobre um dos eixos que atravessa a realidade educacional e assume um relevo particular na atualidade.

Rationale

Processos diversificados de inclusão e exclusão marcam em todas as épocas e sociedades o que cabe entender por educação. Iniciação à idade adulta, privilégio do cidadão, do senhor, do governante, condição da elite cultural, meio de aceder ao sucesso laboral ou económico, seleção dos mais aptos, garantia de ócio, possibilidade de formação de uma personalidade, cuidado de si e dos outros, modalidade por excelência de promover a integração social, a aculturação, a figura do humano idealizada: As múltiplas e diversas finalidades que se lhe têm assacado resultam em enunciados que traduzem essa dialética entre o que é incluído, por direito, necessidade ou convicção, e o que, em consequência, se deve excluir, pela mesma ordem de razões. Uma zona completa do discurso educacional orienta-se, consequentemente, para a produção de justificativas e validações dessas correlações entre as duas diretrizes, enquanto as práticas se alinham por tais propósitos, a maior parte delas para materializá-los, outras, em menor número, para superá-los. Tal significa que essa dinâmica não se oferece estática, na sincronia ou na diacronia, antes supõe uma gama de matizes e variantes, que importa identificar e compreender, relativamente à dominante, mais excluidora ou mais inclusiva, que caracteriza cada conceção educacional. Do mesmo modo, os discursos que visam determinar os sentidos de tal movimento provêm de diferentes áreas epistémicas, confluindo para a consolidação de uma perspetiva consensualizada sobre o que cabe incluir ou excluir, valorizar ou segregar, reconhecer ou recusar, acolher ou renegar.


Perante uma realidade multifacetada e assimétrica, no que respeita às condições sociais, políticas, económicas e culturais, em geral, e aos sistemas educativos, em particular, na qual, apesar de todos os esforços contrários, as formas de exclusão avultam, na nossa época, tem-se vindo a projetar um futuro de maior igualdade, no respeito das diversidades, de maior democraticidade, não obstante a pluralidade de circunstâncias, de maior solidariedade, independentemente das soluções encontradas. Revela-se numa tal perspetiva uma eventual diferença histórica, refletida na intenção de consagrar a predominância decisiva do fator inclusivo sobre as formas de exclusão. A educação para todos, modelo iluminista e humanista que melhor se alinha com os ideais democráticos, deveria tornar-se, em tal visão de um futuro já inscrito na vontade presente, numa educação inclusiva para todos. Não obstante a disseminação cada vez mais consolidada dessa orientação discursiva, novas formas de exclusão, ou reconfigurações de formas vigentes, têm sido produzidas, seja a partir de condições definidas por essa mesma discursividade, seja por efeitos que esta não consegue prever. Uma das mais focadas hoje é a que se relaciona com o recurso a tecnologias digitais, mormente às aplicações do foro da Inteligência Artificial Generativa. Se a utilização responsável destas, regulada com transparência e equidade, promove a inclusão, ao facilitar serviços, personalizar a aprendizagem e ampliar a participação cívica, a sua aplicação desregulada pode ampliar exclusões, por desigualdades de acesso, literacia e enviesamentos nos dados. Mas toda a problemática da circulação de pessoas, do multiculturalismo, da integração local constitui outro campo de inclusões e exclusões que afeta diretamente o pensamento e a prática educacionais. É assim um regime de profundas tensões o que essa polaridade inscreve no pensamento e na ação atuais, suscitando a necessidade de uma discussão aprofundada do que cabe no conceito de educação e nas práticas educativas, de modo a dar corpo pleno a uma tal determinação normativa, e do que permite compreender as múltiplas persistências de procedimentos excluidores, que a negam ou obstaculizam.


O X Congresso Internacional da SOFELP, em parceria com o IFILNOVA e o Laboratório de Educação aDistância e eLearning – LE@D, dedicado ao tema: A Educação entre Inclusões e Exclusões, assume precisamente a importância desse debate sobre o quadro nacional que valida o projeto de uma matriz educacional inclusiva, as condições da sua concretização, os limites que se lhe opõem, as alternativas de dissenso que se apresentam, os modos como se entrosa com as figuras da exclusão. Assume, igualmente, que o problema diz respeito à Filosofia da Educação, instigando uma reflexão complexa sobre o fenómeno educativo, a partir desses dois valores, que deverá contribuir para um esclarecimento mais efetivo do que está em causa. Assume, por fim, que uma tal dialética só pode expressar-se pelo reconhecimento prévio da pluralidade de manifestações do mesmo par e por meio do diálogo pluridisciplinar, nomeadamente entre os saberes que tomam a educação como objeto epistemológico.

Programa e livro de resumos

O programa e o livro de resumos serão disponibilizados em breve.

Comissão Organizadora

Luís Manuel Bernardo (FCSH/UNL, IFILNOVA) – SOFELP
Antonio Joaquim Severino (UNINOVE) – SOFELP
José Pedro Fernandes (Escola Superior de Educação BEJA/PT, CIEQV) – SOFELP
Maria Dulcinea da Silva Loureiro (URCA) – SOFELP
Maria Teresa Santos (UEVORA, CIDEHUS) – SOFELP
Raquel Pereira Henriques (FCSH/UNL, IHC)
Susana Batista (FCSH/UNL, CICS NOVA)
António Moreira Teixeira (Universidade Aberta, LE@D)
João Paz (Universidade Aberta, LE@D)
Cecília Tomás (LE@D)

Comissão Científica

Alípio Dias Casali (PUC São Paulo)
Alessandro Mariani (Università degli Studi di Firenze)
Annalisa Caputo (Università degli Studi di Bari Aldo Moro)
António Cipriano Gonçalves (Universidade São Tomás de Moçambique)
António Gomes Ferreira (Universidade de Coimbra)
Camille Roelens (Université Claude Bernard Lyon 1)
Carla Vilhena (Universidade do Algarve)
Cleide Rita Silverio de Almeida (Universidade Nove de Julho)
Daniel Bart (Université de Toulouse Jean Jaurès)
Daniel Domínguez Figaredo (UNED)
Dulcinea Loureiro (URCA)
Elaine Terezinha Dal Mas Dias (Universidade Nove de Julho)
Elvis Rezende Messias (Instituto Federal do Triângulo Mineiro)
Filipa Seabra (Universidade Aberta)
Gonçalo Marcelo (Universidade de Coimbra)
Isabel Baptista (Universidade Católica Portuguesa)
João Paz (Universidade Aberta)
José Francisco Álvarez (UNED)
José Pedro Fernandes (IPBeja)
Leonor Lima Torres (Universidade do Minho)
Luís Manuel Bernardo (Universidade NOVA de Lisboa)
Luís Miguel de Carvalho (Universidade de Lisboa)
Marcos Antonio Lorieri (Universidade Nove de Julho)
Maria García Amilburu (UNED)
Maria João Couto (Universidade do Porto)
Nadja Hermann (Universidade Federal de Santa Maria)
Paula Cristina Pereira (Universidade do Porto)
Teresa Lopo (Universidade Lusófona)

Financiamento
Evento financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UID/00183/2025 https://doi.org/10.54499/UID/00183/2025.