CultureLab
07/01/2026
João Constâncio entrevistado pelo Público
Três Discursos sobre Eros é um dos melhores livros do ano para o Ípsilon
JC por Rui Gaudêncio

João Constâncio, Professor Catedrático do Departamento de Filosofia da Universidade NOVA de Lisboa e Diretor e investigador do IFILNOVA, foi entrevistado pelo jornal Público sobre o seu ensaio filosófico Três Discursos sobre Eros: Meditação sobre o Fedro de Platão, considerado pelo mesmo jornal um dos melhores livros de 2025. Para José Marmeleira, que conduz a entrevista, “Este terá sido, porventura, o ensaio filosófico de João Constâncio mais tocado pelas artes — ou, melhor dizendo, pela literatura, pela poesia. Estudo de Fedro, dá-nos a ler um Platão ainda inspirado pela arte e pela imitação, um Platão que ainda não separou a poesia e a filosofia, o sensível e o inteligível. A partir das leituras de Fedro pelos filósofos Hegel e Heidegger, com as aparições de Thomas Mann e Luchino Visconti, esta preciosa obra é também uma deleitável apologia da beleza”.


Publicado em 2025 pela Tinta-da-China, em parceria com o IFILNOVA e a PUC-Rio, o novo título da coleção Ensaio Aberto propõe uma releitura profunda do diálogo Fedro, explorando como o eros — o estar apaixonado — pode ser pensado não apenas como loucura, mas como experiência de beleza e de verdade. Segundo João Constâncio, no terceiro discurso que compõe o diálogo de Platão, “a experiência de eros é descrita não como a tal atração meramente física, mas sim como uma experiência do outro como um ser incompreensível. (…) Há uma interrogação acerca do outro que se transforma na pergunta: o que é a beleza para que eu esteja neste estado em que experimento o outro desta forma, como se ele fosse tudo?” E acrescenta: “o apaixonado sente-se num beco sem saída, sem saber o que pensar, o que fazer com o que lhe está a acontecer. Isto é apresentado no Fedro como a semente daquilo a que Platão chama filosofia”.


Nas palavras de José Marmeleira, “Muito do que Platão nos diz em Fedro continua entre nós, modernos. A saber: a experiência de ficarmos apaixonados e as emoções contraditórias que o eros provoca. Mas, também nos diz João Constâncio, algo desta experiência, como descrita por este Platão (que não o da República), pode estar irremediavelmente perdida para nós, arrastando com ela as ideias e as experiências da beleza, da verdade e do sentido. Os efeitos da modernidade terão obscurecido o que de mais luminoso havia na experiência dos antigos. Resta-nos a leitura e a escrita, como aquelas que encontramos neste livro. Quais fagulhas que, reacendendo-se, nos guiam ao pensamento e à imagem fugidia, e sempre renascida, da beleza e do estar apaixonado.”


Três Discursos sobre Eros está disponível em acesso aberto e pode ser consultada na Biblioteca Digital do IFILNOVA. Pode também ser adquirido nas livrarias e no site da Tinta-da-China.


Leia a entrevista completa disponível no site do Público.


Fotografia © Rui Gaudêncio