Com 96 anos, morreu no passado dia 14, em Starnberg, República Federal Alemã, o filósofo Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes da atualidade. O seu pensamento desenvolve-se em torno da filosofia da linguagem, da teoria da ação comunicacional, da filosofia política e da filosofia da história e da ética. Por muitos considerado o último dos filósofos Iluministas europeus, Habermas dedicou a fase final da sua obra a refletir sobre o destino da Europa, num mundo em que forças disruptivas da democracia parecem impor-se globalmente. Desse modo a sua teoria de uma nova racionalidade comunicativa apresenta-se hoje como uma alternativa e um instrumento de interpretação imprescindíveis. Afinal, talvez seja possível uma outra noção de comunicação humana que evolua de forma mais progressiva e ética.
Entre as obras traduzidas para português, destacam-se O Discurso Filosófico da Modernidade (Lisboa: Dom Quixote, 1990) e Uma Outra História da Filosofia (dois volumes, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2023-5).
A título de homenagem à obra e ao filósofo, o IFILNOVA agradece os contributos recebidos de diversos investigadores — ligados ao instituto e externos — e apresenta de seguida esses testemunhos (em actualização).
O último iluminista europeu? — António Marques (IFILNOVA, Universidade NOVA de Lisboa)
Um incontornável na Filosofia — André Santos Campos (IFILNOVA, Universidade NOVA de Lisboa)
Entre patriotismo constitucional e cosmopolitismo jurídico: Habermas e a modernidade política — Giovanni Damele (IFILNOVA, Universidade NOVA de Lisboa)
Salvaguardar o Lebenswelt com Habermas — Inês Pinheiro (IFILNOVA, Universidade NOVA de Lisboa)
Testemunho — José Lamego (Universidade de Lisboa)
Soberania e Dignidade Humana: O Legado Político de Jürgen Habermas — Regina Queiroz (Universidade Lusófona)
Habermas e o pensamento pós-metafísico — Sílvia Bento (Universidade do Porto)