CultureLab • Seminário

Estudos Brasileiros III

Rogério Lopes

A diversidade dos programas genealógicos e o hibridismo do modelo nietzschiano

A paisagem filosófica contemporânea encontra-se povoada por uma diversidade de obras que se pretendem genealógicas em sua abordagem dos elementos que estruturam a nossa autocompreensão normativa. O primeiro desafio frente a essa diversidade de programas é encontrar um traço que os unifique, pois à primeira vista não há convergência no que elegem como seus objetos de investigação, nem nos modelos explicativos que mobilizam ou no tipo de impacto normativo que associam (quando associam) à reconstrução genealógica. Por fim, isso faz com que sejam vulneráveis a objeções igualmente distintas. Partindo de uma definição bastante geral do que poderia unificar esses diversos programas genealógicos (e neutra em relação às peculiaridades de cada um deles), ofereço uma descrição um pouco mais detalhada das suas diferentes configurações (atuais e historicamente identificáveis), explorando por fim os eventuais ganhos de compreensão que obtemos se atribuirmos a Nietzsche um modelo híbrido e pluralista, que procura combinar recursos que se encontram insulados nas versões mais puras dessa linhagem de filosofias genealogicamente orientadas.

Bio

Rogério Lopes é professor associado do Departamento de Filosofia da UFMG (Brasil), bolsista de produtividade do CNPq e atual coordenador do GT-Nietzsche da ANPOF. Ex-bolsista do DAAD, realizou estágios de pesquisa na TU-Berlin (de 2011 a 2012), foi pesquisador visitante na Universidade de Leiden (Holanda) entre 2017 e 2018 e atualmente realiza estágio de pesquisa pelo programa CAPES-Print na Universidade NOVA de Lisboa (2023-2024). Tem experiência de pesquisa e publicações na área de história da filosofia, com ênfase em história da filosofia alemã da segunda metade do século XIX, história da filosofia moral e história do ceticismo, atuando principalmente nos seguintes temas: Nietzsche, filosofia moral, retórica e argumentação filosófica, debate igualitário na tradição liberal pós-rawlsiana, emoções retributivas e vida ética, diversidade e impactos normativos de programas genealógicos.