II Colóquio Luso-brasileiro de Tradução Leibniz: Leibniz e o Cartesianismo
No seguimento de um trabalho de colaboração de vários anos com académicos brasileiros, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa acolhe o II Colóquio Luso-brasileiro de Tradução Leibniz, organizado pelo IFILNOVA, em colaboração com o CHAM. Dedicado ao estudo, tradução e interpretação da obra de G. W. Leibniz, o Colóquio tem como tema central Leibniz e o Cartesianismo. Partindo das múltiplas formas do diálogo crítico de Leibniz com a filosofia cartesiana, o Colóquio visa aprofundar a receção e a tradução da filosofia cartesiana no interior do pensamento leibniziano, bem como explorar os desafios filológicos, filosóficos e históricos envolvidos na interpretação e tradução dos escritos leibnizianos dedicados a este tema.
O Colóquio é organizado no âmbito da atividade do Grupo Luso-Brasileiro de Tradução Leibniz, que, nos últimos anos, se dedicou especialmente à tradução da Correspondência entre Leibniz e Antoine Arnauld, cuja publicação está prevista para outubro próximo.
A iniciativa de Leibniz ao escolher Arnauld como seu interlocutor para debater as teses do Discurso de Metafísica não foi acidental. Efetivamente, Arnauld foi um teólogo e filósofo proeminente, que se correspondeu com Descartes e assumiu o ideal cartesiano de uma ciência geométrica, assente em ideias claras e distintas. Fortemente empenhado na defesa da ortodoxia católica, atacou sistematicamente o que entendia como desvios doutrinais e morais dos jesuítas. Na década de 1680, envolveu-se em violenta controvérsia com Malebranche sobre o estatuto das ideias e a relação entre a natureza e a graça.
Leibniz aderiu à modernidade científica e filosófica pela porta do cartesianismo, declarando: “sou nada menos que cartesiano”. Mas, no decurso de uma vida longa e de intensa produção científico-filosófica, demarcou-se de teses emblemáticas de Descartes e, entre os seus interlocutores, avultam cartesianos como Arnauld, Malebranche e De Volder.
A apresentação e debate dos trabalhos desenvolvidos por diversos especialistas em torno da relação Leibniz–Descartes contribuirá para uma melhor elucidação do pensamento de ambos os filósofos e para reconstituir o quadro histórico-problemático que torna inteligível o modus operandi de cada um deles, no qual deixaram marcas indeléveis que nos inspiram e nos espantam.
Programa
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Comissão organizadora
Marta Mendonça, Universidade NOVA de Lisboa / IFILNOVA
Adelino Cardoso, Universidade NOVA de Lisboa / CHAM
Sofia Araújo, Universidade NOVA de Lisboa / CHAM