CultureLab
20/02/2026
Lançamento de Lisístrata, de Aristófanes
Tradução, comentário e apêndices de João Constâncio
lisistrata capa

Acaba de sair pelas Edições do Saguão o livro Lisístrata, de Aristófanes, na tradução do Professor João Constâncio (IFILNOVA), autor também dos comentários à tradução e co-autor, com Luisa Buarque, da Introdução.


O lançamento do livro terá lugar na próxima quinta-feira, dia 26 de fevereiro, pelas 18:30, no Espaço das Edições do Saguão (Rua António Patrício, 9, 1700-049 Lisboa). A apresentação ficará a cargo de Adriane Duarte, Luisa Buarque e João Constâncio. Todos são bem-vindos.


“Há dois elementos fundamentais da peça que tornam plausível o que começa por parecer simplesmente absurdo ao público masculino a que ela é dirigida: a seriedade do discurso em prol da justiça e o facto de o plano de Lisístrata resultar — ou seja, o facto de a «greve de sexo» e a tomada da Acrópole pelas mulheres forçarem Atenienses e Espartanos a fazer a paz. É assim que, depois do Prólogo e do Párodo, a acção dramática vai apresentando uma alternativa à perspectiva misógina do público: o absurdo torna-se plausível, cada vez mais «real», até que os valores inerentes a esse ponto de vista são desestabilizados. Todo aquele que, no início, tenha começado por colocar-se nessa perspectiva e rido das mulheres se vê posto em causa, de tal modo que, se continua a rir, agora, quer o saiba, quer não, é de si mesmo que ri.


Por um lado, são as acções e a palavra da própria Lisístrata que fazem com que o seu plano resulte. Por outro, ele resulta porque as mulheres o põem solidariamente em prática por toda a Grécia, e também porque as Anciãs do semi-coro — juntamente com outras mulheres mais jovens (as tais que são «anémonas-do-mar») — defendem a Acrópole e vencem o agōn contra o semi-coro de Anciãos. É especialmente o semi-coro de Anciãs que se comporta como um verdadeiro exército de bacantes. O «inimigo interno» é marcial, mas, na verdade, é amigo. São em grande medida elas que, agindo politicamente, tornam possível a paz.”


— excerto da Introdução, por João Constâncio e Luisa Buarque