CultureLab • Conferência Internacional

Pensar a cidade através da fragmentação e da reconfiguração

desafios estéticos e conceptuais

A relação entre a estética, as artes e a cidade conheceu novas formas no último século e meio, num processo coincidente quer com o desenvolvimento das metrópoles modernas, quer com o aparecimento de novas tecnologias que têm permitido conhecer, estudar e reinventar a experiência urbana. Além do mais, as cidades desde sempre levantaram questões estéticas fundamentais, relativas aos modos de sentir, percepcionar e habitar, às estruturas espácio-temporais que condicionam a experiência humana, bem como à relação com a natureza e o não-urbano.


Por outro lado, se é verdade que a filosofia ocidental nasceu numa íntima relação com a polis, nem sempre é fácil tornar explícitos os termos das múltiplas relações, históricas e conceptuais, entre filosofia e cidade. De qualquer forma, parece evidente que, sem deixar de apelar a uma multiplicidade de perspectivas disciplinares, os fenómenos urbanos interpelam e deixam-se interpelar pelos conceitos filosóficos: os mais propriamente estéticos, mas também, e desde logo, os que tratam de questões sociais, éticas e políticas.


O par de conceitos fragmentação e reconfiguração visa orientar as contribuições para a conferência e o modo como ela se propõe desenvolver a relação do pensamento filosófico com a cidade. Esse par de conceitos liga-se com outros que lhe são afins: construção e destruição, fragmento e todo, a singularidade de cada coisa e a tendência teórica para procurar uma síntese abrangente. Propondo como objectivo geral a exploração de tensões criativas e dialécticas entre fragmentação e reconfiguração que sejam capazes de abrir um espaço crítico e diferencial – um espaço de pensamento e de práticas –, esta Conferência Internacional visa explorar as diferentes formas como a experiência humana e as práticas artísticas absorvem e respondem à fragmentação que caracteriza as cidades modernas. Espera-se que este seja também um espaço que permita quebrar as imagens homogéneas das cidades contemporâneas criadas por processos ligados ao capitalismo e à globalização, os quais tantas vezes obscurecem outras formas de vida.


O conceito de fragmentação não pressupõe necessariamente uma nostalgia da unidade perdida. Pelo contrário, pode ser assumido como parte de um processo inevitável da modernidade, que tem como contraponto produtivo a análise de fragmentos, pormenores e casos de estudo circunscritos, acessos críticos a uma compreensão do nosso tempo presente, por mais provisórios que sejam esses acessos. Por outro lado, o conceito de reconfiguração invoca a própria possibilidade de repensar, reconstruir e reimaginar o espaço urbano, o que é da maior importância não só para a reflexão filosófica sobre a cidade, mas também para as práticas artísticas que com ela lidam e nela se inspiram. Isto é tanto mais relevante quanto a presente conferência (e o projecto que está na sua origem) estão ancorados em Lisboa, uma cidade cujos processos contemporâneos de reconfiguração levantam uma série de desafios estéticos e conceptuais.

CONFERENCISTAS CONVIDADOS

    • Fabrizio Desideri (Università di Firenze)
    • David Kishik (Emerson College, Boston)
    • Maria Filomena Molder (Universidade NOVA de Lisboa)
    • Paula Cristina Pereira (Universidade do Porto)
    • Adriana Veríssimo Serrão (Universidade de Lisboa)
    • Jean-Paul Thibaud (CNRS, CRESSON)

Programa completo aqui.

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Organização: Paula Carvalho, Nélio Conceição, Bruno C. Duarte, Nuno Fonseca, Alexandra Dias Fortes, Maria Filomena Molder, Susana Ventura.


Este evento não será transmitido em streaming.


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thinkingthecity.conference@gmail.com