Formas de Vida e Práticas da Filosofia

Formas de Vida e Práticas da Filosofia é um grupo de investigação dedicado ao estudo da relação entre a filosofia e a criação de valores, formas de vida e práticas transformadoras, tanto a um nível individual quanto a um nível colectivo. Enquanto parte do CultureLab, o grupo contribui para uma investigação abrangente sobre a relação entre valor e cultura e as várias formas nas quais os valores humanos e a atividade humana de avaliar se encontram sempre integrados em formas de vida culturais, que têm um contexto e história particulares, e que podem ser alteradas através da acção humana. O grupo ocupa-se, em especial, da história, desenvolvimento e relevância contemporânea da filosofia concebida como uma prática transformadora e a sua aplicação e impacto na construção de valores ao nível ético, político e cultural.


Reunindo abordagens antigas e contemporâneas sobre o problema de “como viver” e respetivas práticas de auto-transformação, transformação colectiva, construção de valores, existência ecológica e a arte de florescer e decair, o trabalho do grupo desenvolve-se em duas linhas de investigação diferentes, mas interrelacionadas. Enquanto as duas linhas expressam directamente a visão e o desafio de aplicar a filosofia à vida e investigam a articulação entre formas de vida e práticas da filosofia, a primeira ocupar-se-á particularmente da transformação a um nível individual, ao passo que a segunda se focará na transformação social ou colectiva.


  • A Arte de Viver (ars vivendi)

Esta linha de investigação tem uma orientação metafilosófica e pretende explorar a história e relevância contemporânea de uma conceção da filosofia compreendida não como uma mero exercício teórico e abstrato, mas como uma prática performativa e transformadora, que pretende ter um efeito na própria vida, na constituição de si próprio e na construção de valores. Na esteira de Pierre Hadot e Michel Foucault, esta linha investigará a conceção antiga da filosofia como “arte da vida” (technē tou biou) – e descrições aparentadas, como “terapia da alma”, “modo de vida”, “cuidado de si” ou “estética da existência” – e os seus desdobramentos e reinvenções na filosofia moderna e contemporânea (particularmente em Espinosa, Schopenhauer, Nietzsche, Foucault e autores da tradição existencialista, como Kierkegaard, Heidegger e Sartre). Será dada particular atenção à relação entre as práticas filosóficas e a constituição de diferentes formas de vida, bem como ao espaço de liberdade e autonomia na criação de valores e constituição de si implicadas nesta tradição de pensamento.

Esta linha dará continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Art of Living Research Group (2018-2022).


  • Humanidades Ambientais

Através de grupos de leitura, seminários, workshops e palestras públicas de especialistas e artistas internacionais envolvidos no estudo teórico e criativo do pensamento ecológico e da justiça ambiental, esta linha de investigação em Humanidades Ambientais ocupar-se-á da experimentação com novos valores económicos, legais, históricos, culturais, políticos e estéticos, numa altura de grande incerteza e turbulência.


Ao lidar com os textos históricos que delinearam os valores da cultura filosófica ocidental, desde as filosofias pré-socrática, platónica e aristotélica até aos resultados tardios da cultura da ‘crise’ (de Marx a Freud, Heidegger e Benjamin, via Hegel e Nietzsche, entre outros), esta linha de investigação procurará habitar os novos ambientes e as humanidades emergentes, bem como redefinir novas relações de valor que possam permitir um relacionamento político renovado entre as diferentes agências que entraram agora de forma definitiva numa sociedade que já não pode ser limitada à esfera humana.